Agradecimentos

Tenho muito a agradecer com quem estou até hoje e que me trouxeram até aqui. A Deus por me dar força e saúde, meu pai, minha mãe, a minha namorada Lilian, Mestre Emerson Abila, Kru Pirojnoi, aos atletas que passaram por mim e que estão comigo até hoje e a todos os meus amigos que são muitos. Obrigado por tolerarem minhas limitações e me aceitaram assim como eu sou. Minhas maiores fontes de aprendizado e de satisfação são vocês. Dedico o meu respeito e sucesso à escola tradicional de Muay Thai – Thai Center, Santos-SP.

Sandro de Castro

Nasci no dia 10 de maio de 1973 e cresci em uma família de origem pobre e humilde, mas muito unida e regada de muita educação.
Minha história nas Artes Marciais começou em meados de 1978 através do meu Pai, que era praticante de Karatê. Nessa época eu tinha dez anos de idade e já demonstrava minha paixão pela arte marcial. Diz ele que eu ficava tentando amarrar a faixa na cintura e imitava um lutador. Ele vendo minhas atitudes não pensou duas vezes em me colocar logo na academia, mas chegando lá, dava umas voltas correndo no tatame e logo já estava eu dormindo sobre ele com meu travesseiro. Mas com o tempo, entre corridas e cochilos, o professor vendo que eu tinha jeito para a coisa, começou a dedicar um tempinho de sua aula para me ensinar alguma coisa antes que eu dormisse. Treinei até meus 15 anos e cheguei até a faixa-roxa. O bom disso foi que meu pai não gostava de futebol, portanto não ganhei nem uma camisa de time e nem uma bola de presente como de costume, ganhei um kimono.

Início no Muay Thai

Em 1989 dei início à prática do boxe tailandês, com 17 anos, através de um amigo. Conheci meu primeiro professor, Emerson Abíla, em Curitiba, e ele namorava a irmã desse meu amigo. Tempos depois vim saber por ele mesmo que foi ele quem lançou o grande mestre de MMA, o até então amigo naquela época, Rafael Cordeiro. Foi ele quem o levou para fazer sua primeira aula de Muay Thai, história que o povo desconhece. Fui seu primeiro aluno. A academia era muito precária e desprovida de equipamentos, mas mesmo com muita dificuldade e persistência consegui chegar à faixa-preta, somente após 14 anos de treinamentos. Como lutador fiz minha primeira luta em 1990. Não fiz muitos combates, porém, ganhei todos. Fiz um total de 10 a 12 e algumas em formato de grand prix. Se hoje é difícil rolar eventos, imagine antigamente, ainda mais treinando em Santos, longe de tudo. O pessoal naquele tempo lutava de graça, mas por ironia do destino, tive uma lesão no ombro e tive que me afastar dos ringues por um ano. Logo voltei mas comecei a ajudar na academia puxando treinos para ajudar o professor, mas não demorou muito, lá estava eu treinando para lutar o que iria ser o meu último combate lá em Varginha-MG. Venci a luta por nocaute com uma joelhada no 3º round, mas não foi fácil porque meu ombro saiu fora do lugar no 1º round. Mas ali eu vi o porquê o Muay Thai é considerado a arte das oito armas. Nesse esporte a luta nunca está acabada antes que termine com o soar do gongo… tudo pode acontecer.

Como Treinador

Com meu professor tendo que ir para Curitiba para treinar com o grande professor Sergio Cunha, queria dar continuação à minha carreira, mas agora como treinador. Queria dar aos meus alunos tudo o que eu não tive, por meu professor ser um lutador. Não o culpo por isso mas sabia que, para ser igual aos mestres que eu acompanhava a carreira naquela época, como o Roney Alex, Paulo Nicolai, Luiz Alvez e Rudimar Fedrigo, tinha que ser diferente. Sempre coloquei uma coisa na minha cabeça que, com muita dedicação, eu poderia ser igual ou melhor que eles. Queria estar entre eles e continuo batalhando por isso até hoje. Como não tinha um espaço para trabalhar, comecei a treinar os alunos em um campo de futebol perto da minha casa. Os dias em que chovia não havia treino, e no outro lá estava eu esticando uma lona no chão para treinar os atletas por conta da lama, porque tínhamos já o primeiro compromisso em MG. Uma visão que eu tive naquele dia era que meus atletas treinando daquele jeito na lama não iriam perder para ninguém em cima de um ringue. Resultado: dos quatro atletas que foram competir, quatro campeões. E com isso surgiu a nossa equipe.

Thai Center

Hoje contamos com uma excelente estrutura, provida de bons equipamentos e ringue, e também contamos com uma equipe multidisciplinar com fisioterapêuta, nutricionista, etc. Uma equipe campeã graças a Deus e aos atletas e alunos que aqui estão e aos que passaram e trouxeram glórias para essa equipe.

Tailândia Parte 1

Um sonho que se transformou em meta e agora é compromisso.
Tudo começou aqui mesmo no Brasil, logo depois que conheci um tailandês mirrado chamado Pirojnoy. Pesava no máximo 58 kgs, uma fera, um dos maiores campeões do mais sagrado estádio de Muay Thai do mundo, o Lumpinee Stadium, recém chegado aqui no país para ministrar treinamentos em uma equipe em São Paulo e fomos fazer parte dessa equipe. Nessas idas e vindas que duraram 8 meses, trouxemos ele várias vezes para nossa cidade, Santos-SP, onde se iniciaram os contatos, tiramos dúvidas de treinos e curiosidades mas a comunicação era bem pouca. Enfim, tratamos ele como um verddadeiro Mestre. Antes de retornar ao seu país de origem, falei pra ele que iria no ano seguinte para Tailândia, mas ficou nisso. Ele foi embora e comecei minha corrida para realizar esse sonho. Juntei minhas economias e pretendia ir em janeiro de 2007, mas acabei indo em Abril. Cheguei na terra do Muay Thai achando que iria ver lutador em todos os cantos, atletas treinando na rua, etc e nada disso. Confesso que fiquei triste. Fiquei em Bangkok por alguns dias sozinho sofrendo com a cultura, dialeto, escrita e comida do país. Sem falar inglês, apenas o necessário para me manter, fui atrás do Kru, mas segundo informações ele estava para o lado da China. Mas mesmo assim fui atrás dele. Mas por onde começar? Tinha uma foto em que ele estava comigo então fui direto na segunda casa dele, o Lumpinee Stadium, e mostrei a foto para um juiz de ringue que logo me passou seu telefone. Conheci o dono de uma loja e pedi que ele ligasse para mim e de bate-pronto veio o Kru me buscar. Foi muito legal. No outro dia já estava de mala e cuia morando no campo onde passei por 30 dias. Perdi 10kg. Poderia ter ido direto para um hotel mas queria entender como vivia um lutador, como era o tratamento entre eles e o respeito pelo treinador. Aprendi muitas coisas com ele mas tinha muita dificuldade com a comunicação. Me trataram muito bem. Eles não me deixavam andar a pé. Quando precisava sair ele me perguntava onde eu ia e já chamava um lutador, o Maike, para me levar de moto. Até para lavar minhas roupas ele chamava o lutador para me ajudar. Era tipo guia. Para onde eu ia o Maike ia junto. Antes de vir embora fui conhecer a POR PRAMUK GYM, em especial o talentoso lutador BUAKAW, um cara muito simples e bacana. Chegando ao Brasil empreguei o sistema na equipe, sem tirar e nem por.

Tailândia Parte 2

Como meu compromisso é ir uma vez por ano, la estava eu de novo no berço do Muay Thai pela segunda vez, agora mais preparado para passar três meses. Estudei inglês, que me ajudou a aprender um pouco de tailandês, e já conseguia até falar por celular com o Kru. Fiquei em um hotel e aí fui me aprofundar nas regras e técnicas do esporte, nas pontuações, o que vale mais e o que vale menos, e arrisquei até umas apostas bem sucedidas rss…como eu fazia perguntas parecia um chato, mas todas que fiz obtive respostas. Entre as perguntas ele me falava como eu tinha que ser com os lutadores e o que tinha que fazer com eles para lutar e antes das lutas tudo, a importância da corrida no dia-a-dia, preparação, tempo certo, massagem, recuperação, etc. As pessoas que falam aqui no Brasil que o Muay Thai não é dinâmico, falam porque não entendem das regras. É como ver uma partida de xadrez ou qualquer jogo que você não entenda as regras. Vai se tornar uma coisa chata. No 1º round e 2º round a luta começa devagar com os atletas se aquecendo enquanto as apostas aumentam, daí no 3º em diante começa a guerra. São várias as histórias vividas que infelizmente não tem como contar tudo por aqui.

Tailândia Parte 3

Dessa vez fui em Outubro de 2009, ficando até final de Janeiro de 2010. Levei comigo a campeã Tainara Lisboa, que fez 03 lutas no país, conquistando 03 vitórias por unânimidade. Ela ganhou muito respeito no campo por se dedicar muito e ganhou o apelido de "Noufa", céu bonito, grande e bravo segundo os tailandêses.
Estamos recebendo inúmeros convites para lutas no exterior, em especial na Ásia, então logo logo estaremos por lá de novo.

Treinamento

Treinamos exatamente igual aos tailandêses, dias e horários com a mesma preparação, corridas longas e curtas, trabalho de saco, T-PAO , clinche, massagens, etc. Confesso que não foi fácil para os atletas se adaptarem, mas hoje estão todos acostumados ao sistema tailandês e estamos colhendo os frutos que são as vitórias.

Futuro

Pretendo continuar indo para a Tailândia e sempre que puder vou estar levando lutadores da equipe comigo, tenho consciência de que preciso aprender mais porque nunca sabemos tudo. Hoje trabalhamos a Thai Center como uma empresa, com mentalidade profissional em todos os sentidos. Temos um planejamento sério de trabalho a curto, médio e longo prazo. Tudo que fazemos ou criamos hoje é com a certeza que dará certo para o hoje e para o amanhã, por isso somos referência na Baixada Santista e contamos com o respeito de todo país.